segunda-feira, 30 de junho de 2014

Só agora eu consegui pôr em palavras o que eu estava percebendo há um tempo.
Eu estou sozinha.
Nesse exato momento estou em uma sala de aula, rodeada de mais de trinta pessoas.
Trinta estranhos.
Nesse exato momento estou alternando entre versos tristes e cálculos matemáticos.
Um terço ri de uma piada infame.
Nesse exato momento eu estou chorando na ultima carteira do canto direito.
Três pessoas a menos de trinta centímetros de mim.
Nesse exato momento eu estou ouvindo música com o ouvido esquerdo.
Porque o fone direito está com você.
Nesse exato momento eu estou desmoronando, porque tem muito na minha cabeça que eu posso aguentar.
Nesse exato momento eu limpo minhas lágrimas com a certeza de que não mereço nem um abraço.
Nesse momento eu digo: eu estou sozinha.


Gabi Oli 16.05.2014


Human - Christina Perri



But I’m only human
And I bleed when I fall down
I’m only human
And I crash and I break down
Your words in my head, knives in my heart
You build me up and then I fall apart
Cause I’m only human

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Saudade

Como eu sinto sua falta.
Mais do que do sol em dias nublados.
E da chuva no deserto.
Ao mesmo tempo em que choro por pensar em você, não consigo parar de pensar.
Imaginá-lo aqui.
Quando falam em pessoas como você é difícil.
Tento me acostumar, mas não dá. Não me saio muito bem.
Sair da mesa, ir andando sem rumo é parte da rotina, isso me cansa às vezes. 
Estou cansada de fugir dos meus medos, de não seguir em frente e fingir não ligar.
Na verdade tudo o que eu queria era voltar no tempo.
No dia primeiro de janeiro que te abracei e te beijei desejando um ótimo ano.
O mesmo ano q você se foi.
Só quero voltar no tempo e dizer eu te amo.
Porque não fiz isso quando tive oportunidade e me arrependo com mais que o meu coração, me arrependo com a minha alma.
Minha alma é tudo o que eu sou. Por isso eu vou viver com essas palavras engasgadas para sempre.
Você foi e sempre será a primeira pessoa que eu mais precisei dizer eu te amo.
Não ter dito isso é o que me faz chorar.
É por isso que eu sorrio quando falo de você mesmo querendo desabar.
É por isso que eu fujo do assunto: você.
É por isso que eu respiro fundo antes de dizer que você se foi.
Porque junto vêm todas as lembranças boas e tudo que eu devia ter feito, mas não fiz.
Sinceramente, não quero sentir mais nada.
Daria tudo para esquecer e continuar fugindo dos meus medos.


Gabi Oli 09.05.2014

Sociedade

Certas coisas me fizeram pensar nisso.
Uma me fez escrever.
Sei exatamente o que quero dizer, mas não sei como começar.
Então inicio com uma pergunta: onde vamos parar?
As atitudes das pessoas me assustam e fico com medo de responder.
Eu já sabia do efeito estufa, das queimadas, do CO2.
Tinha consciência dos assaltos, dos assassinatos.
Acompanho os noticiários e suas reportagens absurdas.
Mas só me dei conta quando analisei a situação de perto.
Não há respeito mais.
Não respeitamos nossos idosos, nossas crianças.
As mulheres tentam se proteger.
Até os homens são alvo.
Mas o que me preocupou mesmo foi quando me dei conta que paramos de respeitar a única coisa que ainda valia a pena, aquilo que ainda podia ser salvo. Nós mesmos.
Onde vamos parar?
Talvez não seja tão difícil de responder.
Vamos parar no nada.
No buraco. Na sarjeta.
A próxima pergunta é: quando isso vai acontecer?
Quando, na verdade, a pergunta certa devia ser: o que faremos para mudar?


Gabi Oli 09.04.2014